sexta-feira, 6 de setembro de 2013

06/09

Estou tão virgem que nem sabia que hoje era dia do sexo até a última checada em meus e-mails. Ninguém havia me convidado para fazer nada exatamente, mas aquele seis próximo ao nove me lembrava algo. Me perguntei se a venda de preservativos aumentava como a de meias no Dia dos Pais ou a de flores no Dia de Finados. Imaginei os sex shops às dezenas, mulheres pela loja observando discretamente os homens sozinhos, solteiros. Elas sabem como identificar essas coisas. A nós homens, são detalhes dispensáveis. Mesmo de aliança no dedo, em dias como este, toda mulher é livre para ser flertada. Todo homem é livre para levar um toco. A do bar me disse não, e nem explicou as razões. Não e ponto. Não e exclamação para demonstrar todo seu desgosto. Não na segunda, terceira e quarta tentativa. Okay. Era o “sim” da quinta mulher, ao menos foi como o interpretei. Eu havia mudado a abordagem. Nada de “Eu. Você. 6/9” e as bochechas roxas com os cinco dedos dela estampados acima da barba. “O que acha de irmos para um lugar mais reservado?” até parecia charmoso no começo, mas minha língua coçava desejando prosseguir. “Um lugar que possamos ficar pelados sem ninguém nos incomo—“. Ela sequer me deixou terminar a frase. Mas para a quinta fui franco, disse minha intenção de modo direto. “Que tal passar aqui no meu apartamento hoje?” disse. “Okay”. Abandono a calça e a camisa, troco o samba-canção por uma box. O som toca What Goes Around... Comes Around, como ela gosta. Vinte minutos depois ela aparece. Confiro as cervejas na mesa de centro — os livros e papéis soltos foram para trás do sofá. Abro a porta, ela está mais vestida do que eu e sorri desinibida.
— Engraçado — ela diz, me surpreendendo — como os anos de amizade nos levam a esses momentos tão íntimos.
Laura aperta os olhos, aumentando o sorriso.

Assistimos In Time hoje à noite.