Até quando
ficaremos um ao lado do outro e não diremos nada? Até quando repartiremos
nossos sentimentos e nos deitaremos com outros e vamos acreditar que tudo isso
é normal? Deixaremo-nos ser levados pelo tempo, pela sorte e pelo amor? Mas
chega um certo ponto que o amor vira detalhe e todo resto, mais aparente,
ataca-me os olhos como mutilações, feridas expostas, putrefação, meus beijos à
ele que não sei quem é, mas que o invejo mais que odeio. Chega uma hora que não
é mais desistir, é seguir em frente. Até quando seremos um do outro? Até sermos
um do outro.
quinta-feira, 13 de março de 2014
domingo, 2 de março de 2014
em uma nova dor
PARTE I
― Atende ―
ordenou Alice, sentada à sua frente.
A ligação caiu.
― Jorge! ― a voz
espirituosa vinha sobre sua cabeça.
Ele enxugou o
rosto com as costas das mãos e içou o olhar. Um paredão de velhos amigos o
estudava, alguns com preocupação, outros confusos ou curiosos.
O celular tocou
novamente. LÉO era o nome que aparecia no visor iluminado. A melodia que só
agradava a Jorge estava por acabar. Ele não se inclinou a atender aquela
chamada, embora a ordem de Alice fosse clara e insistente.
― O que houve? ―
perguntou uma das velhas amigas.
― Nada ― disse,
sem convencer sequer a si mesmo.
Outra chamada e
ele a atendeu.
Precisamos conversar, a voz do outro
lado da linha atravessou.
― Melhor
esquecermos isso ― respondeu, olhando para um ponto fixo no gramado.
O que você queria? Que eu simplesmente aceitasse?, indagava Léo,
esperando por uma resposta e certo de que ela não viria.
― Vamos deixar
como está. ― Ele falava sobre o beijo entre Léo e Stefano no sábado.
Quero esclarecer as coisas, suplicou.
― Daqui há uma,
duas semanas, um mês, talvez eu já esteja mais sossegado; seu namoro mais
estável e conversaremos sobre isso se você ainda se lembrar.
Você acha natural, é isso?, perguntou, e
se Jorge bem o conhecia, Léo estava com o cenho franzido n’outro lado da linha.
E que eu deveria, simplesmente, ignorar?
Você é mesmo muito volúvel.
― Volúvel? ―
Jorge negou com um aceno de cabeça que Léo não pode ver. ― Você quis dizer
puta?
Léo espantou-se
com a franqueza, algo que ficou claro nos minutos de atraso em sua resposta.
Aconteceu, disse, como se fosse suficiente para
se explicar. Eu não planejei. Stefano
estava ao meu lado enquanto você estava lá, com o Marcos.
― Esquece isso!
Eu só queria que as coisas ficassem certas entre
nós. Mas se você prefere tentar com o Marcos, mesmo ele estando em Goiânia e
você aqui.
― Goiânia é do
lado. E não, eu não quero tentar com ele.
Então vamos tentar nós dois. E havia tanta
verdade naquela proposta...
― Já estou em
uma nova dor ― disse, sobre a saudade que ficou da despedida de Marcos. ― Se
lembra do que éramos, Léo, e do que você disse que lutaria para continuar a
sermos?
Léo se lembrava,
mas não era o bastante. A ligação caiu.
r
― O que foi
isso? ― perguntou a velha amiga.
Jorge respirou
profundamente, permitindo-se um tempo.
― Lembra que eu
falei sobre o Léo?
― Sim, sobre a
festa em que você ficou com uma garota ― disse.
Alice ruborizada
desviava o sorriso.
― Foi exatamente
ai que começou.
Tags:
t
Assinar:
Comentários (Atom)