Estou tão virgem
que nem sabia que hoje era dia do sexo até a última checada em meus e-mails.
Ninguém havia me convidado para fazer nada exatamente, mas aquele seis próximo
ao nove me lembrava algo. Me perguntei se a venda de preservativos aumentava
como a de meias no Dia dos Pais ou a de flores no Dia de Finados. Imaginei os sex shops às dezenas, mulheres pela
loja observando discretamente os homens sozinhos, solteiros. Elas sabem como
identificar essas coisas. A nós homens, são detalhes dispensáveis. Mesmo de
aliança no dedo, em dias como este, toda mulher é livre para ser flertada. Todo
homem é livre para levar um toco. A do bar me disse não, e nem explicou as
razões. Não e ponto. Não e exclamação para demonstrar todo seu desgosto. Não na
segunda, terceira e quarta tentativa. Okay.
Era o “sim” da quinta mulher, ao menos foi como o interpretei. Eu havia mudado
a abordagem. Nada de “Eu. Você. 6/9” e as bochechas roxas com os cinco dedos dela estampados acima da barba. “O que acha de irmos para um lugar mais reservado?”
até parecia charmoso no começo, mas minha língua coçava desejando prosseguir.
“Um lugar que possamos ficar pelados sem ninguém nos incomo—“. Ela sequer me
deixou terminar a frase. Mas para a quinta fui franco, disse minha intenção de
modo direto. “Que tal passar aqui no meu apartamento hoje?” disse. “Okay”. Abandono a calça e a camisa,
troco o samba-canção por uma box. O som toca What Goes Around... Comes Around, como ela gosta. Vinte minutos
depois ela aparece. Confiro as cervejas na mesa de centro — os livros e papéis
soltos foram para trás do sofá. Abro a porta, ela está mais vestida do que eu e sorri desinibida.
— Engraçado —
ela diz, me surpreendendo — como os anos de amizade nos levam a esses momentos
tão íntimos.
Laura aperta os
olhos, aumentando o sorriso.
Assistimos In
Time hoje à noite.