Ela disse que eu
sabia o motivo daquilo. E disse aos berros. Laura estava definitivamente
errada, mas contestá-la seria corajoso demais.
Bateu a porta do meu apartamento e saiu. O palavrão veio do vizinho do
lado, sempre incomodado com meus ruídos e os insetos casuais que atravessam
para seu lado pelo pequeno túnel na parede. Vou e volto pelo apartamento. Desde
sexta vou e volto pelo apartamento. Ocasionalmente caminho à padaria só para
reabastecer minha dispensa de embutidos, cervejas e cigarros. Comprei também
uma caneta nova, mas que ainda não usei. Hoje é terça e escrever me é mais
fácil nas noites de sexta, enquanto nada está dando certo em minha vida. Leio
os números no calendário que peguei no supermercado no inicio do ano. Quatro
dias e Laura se recusando a ouvir Mirrors.